domingo, 21 de junho de 2015

Argumentos a favor do Amilenismo



por
Wayne Grudem
1. Quando olhamos para a totalidade da Bíblia, somente uma passagem (Apocalipse 20:1-6) parece ensinar o reino milenar terreno e futuro de Cristo, e essa passagem em si mesma é obscura. Não é sábio basear tão importante doutrina em uma passagem de interpretação incerta e amplamente controvertida.
Mas, como os amilenistas entendem Apocalipse 20:1-6? A interpretação amilenista vê essa passagem como referindo-se à presente era da igreja. A passagem é esta:
E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo. Então vi uns tronos; e aos que se assentaram sobre eles foi dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na fronte nem nas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se completassem. Esta é a primeira ressurreição.Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.
De acordo com a interpretação amilenista [1], a prisão de Satanás nos versículos 1 e 2 é a prisão que ocorreu durante o ministério terreno de Jesus. Ele falou sobre amarrar o valente a fim de poder saquear a casa (Mateus 12:29 - “Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente? e então lhe saquear a casa”) e disse que o Espírito de Deus estava presente naquele tempo em poder para triunfar sobre as forças demoníacas: “Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Mateus 12:28). Semelhantemente, com respeito à destruição do poder de Satanás, Jesus disse durante o Seu ministério: "Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago” (Lucas 10:18).
O amilenista argumenta que essa prisão de Satanás em Apocalipse 20:1-3 tem um propósito específico: “para assim impedi-lo de enganar as nações” (v. 3). Isso, então, é o que aconteceu quando Jesus veio e o evangelho começou a ser proclamado não simplesmente aos judeus, mas, após o Pentecoste, a todas as nações do mundo. De fato, a atividade missionária mundial da igreja e a presença da igreja na maioria das nações do mundo ou em todas elas mostra que o poder que Satanás tinha no Antigo Testamento de “enganar as nações” e mantê-las nas trevas acabou.
Na visão amilenista, argumenta-se que, como João viu as “almas” e não os corpos físicos no versículo 4, essa cena deve estar ocorrendo no céu. Quando o texto diz que “eles ressuscitaram”, não quer dizer que ressuscitaram fisicamente. Isso possivelmente significa que eles simplesmente “viveram”, já que o verbo no aoristo ezesan pode facilmente ser interpretado como a afirmação de um evento que ocorreu por um longo período de tempo. Alguns intérpretes amilenistas, no entanto, tomam o verbo ezesan como significando que “eles vieram à vida” no sentido de vir a uma existência celestial na presença de Cristo e começar a reinar com Ele do céu.
Conforme essa visão, a expressão “primeira ressurreição” (v. 5) refere-se a ir para o céu para estar com o Senhor. Essa não é uma ressurreição corporal, mas uma ida à presença do Senhor no céu. De modo semelhante, quando o versículo 5 diz que “o restante dos mortos não voltou a viver até se completarem os mil anos”, isso é entendido como se eles não tivessem vindo à presença de Deus para juízo até o final dos mil anos. Assim, tanto no versículo 4 quanto no 5, a expressão “voltou a viver” significa ir para a presença de Deus. (Outra posição amilenista da “primeira ressurreição” é a que se refere à ressurreição de Cristo e à participação dos crentes na ressurreição de Cristo por meio da união com Ele).

2. O segundo argumento muitas vezes propostos em favor do amilenismo é o fato de que a Escritura ensina somente uma ressurreição, tanto os crentes como os descrentes serão levantados da morte, não duas ressurreições (a ressurreição de crentes antes de o milênio começar e a ressurreição de descrentes para o juízo após o fim do milênio). Esse é uma argumento importante, porque a posição pré-milenista requer duas ressurreições separada por um período de mil anos.
Evidência a favor de uma única ressurreição é encontrada em versículos como João 5:28-29, nos quais Jesus diz: “Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados”. Aqui Jesus fala de uma única “hora” em que tantos crentes como descrentes mortos sairão de suas tumbas (ver também Daniel 12:2; Atos 24:15).
E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12:2)
Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24:15)

3. A idéia de crentes glorificados e de pecadores vivendo na terra juntos é muito difícil de aceitar. Berkhof diz: “É impossível entender como uma parte da velha terra e da humanidade pecadora poderá coexistir com uma parte da nova terra e de uma humanidade já glorificada. Como poderão os santos em corpos glorificados ter comunhão com pecadores na carne? Como poderão os santos glorificados viver nesta atmosfera sobrecarregada de pecado e em cenário de morte e decadência?” [2].

4. Se Cristo vem em glória para reinar sobre a terra, então como as pessoas ainda poderiam persistir no pecado? Uma vez que Jesus esteja realmente presente em Seu corpo ressurreto e reinando como rei sobre a terra, não parece altamente improvável que pessoas ainda O rejeitem e que o mal e a rebelião ainda cresçam na terra até o ponto de finalmente Satanás reunir as nações para a batalha contra Cristo?
5. Em conclusão, os amilenistas dizem que a Escritura parece indicar que todos os eventos mais importantes que ainda estão por acontecer antes do estado eterno ocorrerão de uma só vez. Cristo vai retornar, haverá uma só ressurreição de crentes e descrentes, o juízo final acontecerá, e o novo céu e a nova terra serão estabelecidos. Então, entraremos imediatamente para o estado eterno, sem qualquer milênio futuro.

NOTAS:
[1] - Aqui estou seguindo amplamente a excelente discussão de Anthony A. Hoekema, na obra Milênio: significado e interpretações, Robert G. Clouse, org. (Editora Cultura Cristã), p. 141-170.
[2] - Teologia Sistemática, p. 658.
Fonte: Wayne Grudem, Teologia Sistemática, Editora Vida.

As bênçãos do novo céu e da nova terra



Referência: Apocalipse 21.1-8

INTRODUÇÃO
1. A história já fechou as suas cortinas. O juízo final já aconteceu. Os inimigos do Cordeiro e da igreja já foram lançados no lago do fogo. Os remidos já estão na festa das Bodas do Cordeiro.
2. Este texto é a apoteose da revelação. O paraíso perdido é agora o paraíso reconquistado. O homem caído é agora o homem glorificado. O projeto de Deus triunfou. O tempo cósmico se converteu em eternidade
3. Winston Churchill disse que a decadência moral da Inglaterra era devido ao fato que os pregadores tinham deixado de pregar sobre o céu e o inferno.
4. A pregação sobre o céu trás profundas lições morais para a igreja hoje: 1) Jesus alerta para ajuntarmos tesouro no céu; 2) Paulo diz que devemos pensar no céu; 3) Jesus ensinou que devemos orar: “Seja feita tua vontade na terra como no céu”; 4) O céu nos estimula à santidade (2 Pe 3:14); 5) O céu nos ajuda a enfrentar o sofrimento (Rm 8:18); 6) O céu nos ensina a renunciar (Abraão e Moisés); 7) O céu nos livra do medo da morte (Fp 1:21).
5. Vejamos as principais lições deste glorioso texto:
I. O QUE É O NOVO CÉU E A NOVA TERRA?
1. A redenção alcançou não só a igreja, mas todo os cosmos – v. 1
• A natureza está escravizada pelo pecado (Rm 8:20-21). Ela está gemendo aguardando a redenção do seu cativeiro. Quando Cristo voltar a natureza será também redimida e teremos um universo completamente restaurado.
2. Deus não vai criar novo céu e nova terra, mas vai fazer do velho um novo – v. 1
• O novo céu e a nova terra não um novo que não existia, mas um novo apartir do que existia (Is 65:17 e 66:22). Assim como nosso corpo glorificado é apartir do nosso corpo, assim será o unviverso.
• O céu e a terra serão purificados pelo fogo (2 Pe 3:13). Não é aniquilamento, mas renovação. Não é novo de edição. Há continuidade entre o antigo e o novo.
3. Não vai mais existir separação entre o céu e a terra – v.1,3
• O céu e a terra serão a habitação de Deus e de sua igreja glorificada. Então, se cumprirão as profecias de que a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar. Esse tempo não vai durar apenas mil anos, mas toda a eternidade.
• De acordo com o verso 3, a totalidade da igreja glorificada, descerá do céu à terra. Ela vem como a noiva do Cordeiro para as bodas (Ap 19:7). Assim, aprendemos que a igreja glorificada não permanecerá apenas no céu, mas passará a eternidade também na nova terra.
• Do verso 3 aprendemos que a morada de Deus já não está longe da terra, mas na terra. Onde Deus está ali é céu. Assim, a igreja glorificada estará vivendo no novo céu e a nova terra.
4. Não haverá mais nenhuma contaminação – v. 1
• “E o mar não mais existirá”. Isso é um símbolo. Aqui o mar é o que separa. João foi banido para a ilha de Patmos. O mar aqui é símbolo daquilo que contamina (Is 57:20). Do mar emergiu a besta que perseguiu a igreja. No novo céu e na terra não haverá mais rebelião, contaminação, pecado.
II. QUEM NÃO VAI ESTAR NO NOVO CÉU E NA NOVA TERRA? – V. 8
1. Vão ficar de fora os que são indiferentes ao evangelho – v. 8a
• Os covardes falam dos indecisos, daqueles que temem o perigo o fogem das consequências de confessar o nome de Cristo. Os covardes embora convencidos da verdade preferem não se comprometer. Eles têm medo de perder os prazeres deste mundo. Têm medo de serem perseguidos. Não têm coragem de assumir que são de Jesus.
• Os incrédulos são aqueles que buscam outro caminho para a salvação e rejeitam a oferta gratuita do evangelho.
2. Vão ficar de fora os que são moralmente corrompidos – v. 8b
• Os abomináveis são aqueles que perderam a vergonha, o pudor e se entregam abertamente ao pecado e aos vícios do mundo. Atentam contra a moral.
• Os assassinos são aqueles que atentam contra a vida alheia, que praticam abortos criminosos, que matam com armas e com a língua.
• Os impuros são aqueles que se entregam a toda sorte de luxúria, lascívia e perversão moral. São viciados em pornografia, aberrações sexuais, homossexualismo.
3. Vão ficar de fora os que são religiosamente corrompidos – v. 8c
• Os feiticeiros são aqueles que vivem na prática da feitiçaria, ocultismo e espiritualismo. São aqueles que invocam os mortos, os demônios e desprezam o Senhor. São aqueles que crêem que são dirigidos pelos astros. São aqueles que são viciados em drogas (farmakeia).
• Os idólatras são aqueles adoram, veneram e se prostram diante de ídolos e são devotos de santos.
4. Vão ficar de fora os que não são confiáveis na palavra – v. 8d
• Os mentirosos são aqueles que falam e não cumprem. Falam uma coisa e fazem outra. São aqueles em quem não se pode confiar. A mentira procede do maligno. São aqueles que encobrem seus erros.
• Deus coloca fora dos portões da nova Jerusalém aqueles que amaram mais o pecado do que a Deus.
III. O QUE NÃO VAI ENTRAR NO NOVO CÉU E NA NOVA TERRA? – V. 4
1. No novo céu e na nova terra não haverá dor – v. 4
• A dor é consequência do pecado. A dor física, moral, emocional, espiritual não vão entrar no céu. Não haverá mais sofrimento. Não haverá mais enfermidade, defeito físico, cansaço, fadiga, depressão, traição, decepção.
• O céu é céu por aquilo que não vai ter lá. As primeiras coisas já passaram. O que fez parte deste mundo de pecado não vai ter acesso lá. Aquilo que nos feriu e nos machou não vai chegar lá.
2. No novo céu e na nova terra não haverá mais lágrimas – v. 4
• Não haverá choro nas ruas da nova Jerusalém. Este mundo é um vale de lágrimas. Muitas vezes alagamos o nosso leito com nossas lágrimas. Choramos por nós, pelos nossos filhos, pela nossa família, pela nossa igreja, pela nossa nação.
• Entramos no mundo chorando e sairemos dele com lágrimas, mas no céu não haverá lágrimas.
• Deus é quem vai enxugar nossas lágrimas. Não é auto-purificação. Deus é quem toma a iniciativa.
3. No novo céu e na nova terra não haverá luto nem morte – v. 4
• A morte vai morrer e nunca vai ressuscitar. Ela foi lançada no lago do fogo. Ela não pode mais nos atingir. Fomos revestidos da imortalidade. No céu não há vestes mortuárias, velórios, enterro, cemitério. No céu não há despedida. No céu não há separação, acidente, morte, hospitais.
• Na Babilônia se calam as vozes da vida (Ap 18:22-23), mas na Nova Jerusalém se calam as vozes da morte (Ap 21:4)!
IV. QUEM VAI ESTAR NO NOVO CÉU E NA NOVA TERRA? – V. 2
1. A cidade santa, a nova Jerusalém, a noiva adornada para o seu esposo – v. 2
• A igreja glorificada, composta de todos os remidos, de todos os lugares, de todos os tempos, comprada pelo sangue do Cordeiro, amada pelo Pai, selada pelo Espírito Santo é a cidade santa, a nova Jersusalém em contraste com a grande Babilônia, a cidade do pecado.
• Ela é noiva adornada para o seu esposo em contraste com a grande Meretriz.
• O Senhor só tem um povo, uma igreja, uma família, uma noiva, uma cidade santa.
2. Essa cidade desce do céu, é do céu, vem de Deus – v. 2
• Não se constrói de baixo para cima. Toda construção que partia da terra para cima levou à Babilônia, nunca à cidade de Deus. A Babilônia tentou chegou ao céu por seus esforços e foi dispersa. Mas a cidade santa, vem do céu, tem sua origem no céu, foi escolhida, chamada, amada, separada, santificada e adornada por Deus para o Seu Filho. Deus é o seu arquiteto e construtor (Hb 11:10).
3. Essa noiva foi adornada para o seu esposo – v. 2
• O próprio noivo a purificou, a lavou, a adornou para que a noiva fosse apresentada a ele pura, santa, imaculada, sem ruga e sem defeito.
• A noiva foi amada, comprada, amparada, consolada, restaurada, glorificada.
V. POR QUE A NOIVA VAI MORAR NO NOVO CÉU E NA NOVA TERRA? – v. 6-7
1. A igreja, a noiva vai estar no novo céu e na nova terra porque Deus já completou toda a obra da redenção – v. 6
• Feito está – Esta é a terceira vez que Cristo usa esta expressão: 1) Jo 19:30 – o preço da redenção foi pago; 2) Ap 16:17 – o flagelo final na segunda vinda de Cristo; 3) Ap 21:6 – quando Cristo houver de entregar a Deus Pai o Reino.
• Tudo está feito. Tudo provém de Deus. Não há aqui sinergismo. Não cooperamos com Deus para a nossa salvação. Ele fez tudo. Ele planejou. Ele executou. Ele aplicou a salvação. Deus é o começo e ele é o fim. De eternidade a eternidade ele está comprometido com a nossa salvação.
2. A igreja, a noiva, vai estar no novo céu e na nova terra por causa da graça de Deus – v. 6b
• Os sedentos bebem de graça da água da vida. Todos os que têm sede podem saciar. Todos os buscam encontram. Todos vêem a Cristo, ele os acolhe – não por seus méritos, não por suas obras, mas pela graça. É de graça!
3. A igreja, a noiva, vai estar no novo céu e na nova terra, porque permaneceu fiel – v. 7
• Todo crente deve lutar diariamente contra o pecado, o diabo e o mundo. O vencedor é o que crê, o que persevera, o que põe a mão no arado e não olha para trás.
VI. POR QUE O NOVO CÉU E A NOVA TERRA SERÃO LUGARES DE BEM-AVENTURANÇA ETERNA? – V. 2,3,7
1. Porque a vida no novo céu e a na nova terra será como uma festa de casamento que nunca termina – v. 2
• As bodas passavam por quatro fases: 1) Compromisso; 2) Preparação; 3) A vinda do noivo; 4) A festa. O céu é uma festa. Alegria, celebração, devoção. Exaltaremos para sempre o noivo. Deleitar-nos-emos em seu amor. Ele se alegrará em nós como o noivo se alegra da sua noiva. Esta festa nunca vai acabar!
2. Porque o novo céu e a nova terra serão profundamente envolvidos pela presença de Deus – v. 3
• O céu é céu porque Deus está presente. Depois que o véu do templo rasgou Deus não habita mais no templo, mas na igreja. O Espírito Santo enche não o templo, mas os crentes. Agora somos o santuário onde Deus habita. Agora somos uma reino de sacerdotes.
• Veremos Cristo face a face. Vê-lo-emos como ele é. Ele vai morar conosco. Não vai haver mais separação entre nós e Deus. A glória do Senhor vai brilhar sobre nós. O Cordeiro será a lâmpada da cidade santa.
3. Porque no novo céu e na nova terra teremos profunda comunhão com Deus – v. 3b
• Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus. Aqui caem as diversas não só do Israel étnico, como das denominações religiosas. Lá não seremos um povo separado, segregado, departamentalizado. Lá não sereremos presbiterianos, batistas ou assembleianos. Seremos a igreja, a noiva, a cidade santa, a família de Deus, povos de Deus.
4. Porque no novo céu e na nova terra desfrutaremos plenamente da nossa filiação – v. 7
• A igreja é noiva do Cordeiro e filha do Pai. Tomaremos posse da nossa herança incorruptível. Desfrutaremos das riquezas insondáveis de Cristo. Seremos co-herdeiros com ele. Seremos filhos glorificados do Deus todo-poderoso e reinaremos com o Rei dos reis!
CONCLUSÃO
• Vimos neste parágrafo uma síntese de gloriosas verdades:
1) A primeira revelação – A cidade de Deus (v. 2).
2) A segunda revelação – A habitação de Deus (v. 3).
3) A terceira revelação – O mundo de Deus renovado (v. 4,5a).
4) A quarta revelação – O trabalho de Deus validado (v. 5b).
5) A quinta revelação – O trabalho de Deus terminado (v. 6a).
6) A sexta revelação – A última bênção (v. 6b).
7) A sétima revelação – A última maldição de Deus (v. 8).
Rev. Hernandes Dias Lopes

sábado, 18 de abril de 2015

Artigo

Igreja e Israel: A Controvérsia

Cornelis Venema
Ao longo da história da Igreja cristã, a questão do lugar de Israel nos propósitos redentivos de Deus tem sido de especial importância. Na história moderna, com a emergência do dispensacionalismo como uma perspectiva escatológica popular e o estabelecimento do estado de Israel em 1948, a questão teológica acerca da intenção de Deus para Israel se tornou ainda mais premente. Depois do holocausto, com o esforço nazista para exterminar os judeus por toda a Europa durante a Segunda Guerra Mundial, o problema da relação entre a e Israel foi novamente afetado pela triste realidade do antissemitismo, que muitos alegam pertencer a qualquer teologia cristã que insista em um único caminho de salvação pela fé em Jesus Cristo, seja para judeus ou gentios.
A fim de orientar a discussão dessa crucial controvérsia, precisamos começar com um entendimento claro das principais visões deste assunto que estão atualmente representadas na igreja. Essas visões ilustram não apenas a importância da questão, mas também a ampla diversidade de posições.
Dispensacionalismo pré-milenarista: o propósito especial de Deus para Israel
Embora o dispensacionalismo pré-milenarista seja uma perspectiva relativamente nova na história da teologia cristã, a sua posição acerca do propósito especial de Deus para Israel tem moldado, até mesmo dominado, os debates recentes entre os cristãos evangélicos acerca do relacionamento entre a Igreja e Israel.
No dispensacionalismo clássico, Deus tem dois povos distintos: um povo terreno, Israel, e um povo celestial, a Igreja. Segundo o dispensacionalismo, Deus administra o curso da história da redenção por meio de sete dispensações (ou economias da redenção) sucessivas. Durante cada dispensação, Deus prova os seres humanos por uma revelação distinta da sua vontade. Entre essas sete dispensações, as três mais importantes são a dispensação da lei, a dispensação do evangelho e a dispensação do reino. Embora não seja possível, num pequeno ensaio como este, descrever todas as diferenças dessas três dispensações, o que importa é a insistência do dispensacionalismo de que Deus tem um propósito separado e um modo distinto de lidar com o seu povo terreno, Israel. Durante a presente era, a dispensação da Igreja, Deus “suspendeu” seus propósitos especiais para Israel e voltou sua atenção, por assim dizer, para o ajuntamento dos povos gentios mediante a proclamação do evangelho de Jesus Cristo para todas as nações. Contudo, quando Cristo retornar a qualquer momento para “arrebatar” a Igreja antes de um período de sete anos de grande tribulação, ele retomará o programa especial de Deus para Israel. Esse período de tribulação será um prelúdio à inauguração da futura dispensação do reino de mil anos sobre a terra. Para o dispensacionalismo, o milênio marca o período durante o qual as promessas de Deus a Israel, seu povo terreno, terão um cumprimento distinto e literal. Apenas ao final da dispensação do reino milenar é que Cristo finalmente vencerá todos os seus inimigos e introduzirá o estado final.
Embora o dispensacionalismo reconheça que todos, judeus ou gentios, são salvos pela fé no único Mediador, Jesus Cristo, ele mantém uma clara e permanente distinção entre Israel e a Igreja nos propósitos de Deus. As promessas do Antigo Testamento não se cumprem mediante o ajuntamento da Igreja de Jesus Cristo de entre todos os povos da terra. Essas promessas são dadas a um povo terreno e etnicamente distinto, Israel, e serão cumpridas de modo literal apenas durante a dispensação do reino que segue a presente dispensação do evangelho.
A visão reformada tradicional: um único povo de Deus
Ao contrário da rígida distinção do dispensacionalismo entre os dois povos de Deus, Israel e a Igreja, a teologia reformada histórica insiste na unidade do programa redentivo de Deus ao longo da história. Quando Adão, o cabeça pactual e representante da raça humana, caiu no pecado, todos os seres humanos enquanto sua posteridade se sujeitaram à condenação e à morte (Romanos 5.12-21). Em virtude do pecado de Adão e de suas implicações para toda a raça humana, todos se sujeitaram à maldição da lei e se tornaram herdeiros de uma natureza pecaminosa e corrupta.
Segundo a interpretação reformada tradicional da Escritura, Deus introduziu o pacto da graça, após a queda, a fim de restaurar o seu povo eleito à comunhão e intimidade consigo mesmo. Embora o pacto da graça seja administrado de maneiras diversas ao longo da história da redenção, ela permanece uma em substância, desde o tempo de sua ratificação formal com Abraão até a vinda de Cristo na plenitude do tempo. Em todas as várias administrações do pacto da graça, Deus redime o seu povo mediante a fé em Jesus Cristo, o único Mediador do pacto da graça, por meio de quem os crentes recebem o dom da vida eterna e a comunhão restaurada com o Deus vivo [vide Louis Berkhof, Teologia sistemática (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013].
No entendimento reformado da história da redenção, portanto, não há nenhuma separação radical entre Israel e a Igreja. A promessa que Deus fez a Abraão na ratificação formal do pacto da graça (Gênesis 12, 15, 17), a saber, que ele seria o pai de muitas nações e quem em seu “descendente” todas as famílias da terra seriam abençoadas, encontra seu cumprimento em Jesus Cristo. O descendente prometido a Abraão no pacto da graça é Jesus Cristo, o verdadeiro Israel, e todos aqueles que mediante a fé são unidos a ele e, assim, são feitos herdeiros das promessas do pacto (Gálatas 3.16, 29). Na visão reformada, o evangelho de Jesus Cristo cumpre diretamente as promessas do pacto da graça para todos os crentes, sejam judeus ou gentios. Israel e a Igreja não são dois povos distintos; em vez disso, a Igreja é o verdadeiro Israel de Deus, “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pedro 2.9).
A teologia dos “dois pactos”
Na história recente da reflexão sobre Israel e a Igreja, surgiu uma posição nova e mais radical. Frequentemente ligada ao nome de Franz Rosenzweig, o autor judeu de uma obra escrita logo após a Primeira Guerra Mundial e intitulada The Star of Redemption,[1] a teologia dos dois pactos ensina que há dois pactos separados, um entre Deus e Israel e outro entre Deus e a Igreja de Jesus Cristo. Em vez de haver um único caminho de redenção mediante a fé em Jesus Cristo para crentes judeus e gentios indistintamente, o relacionamento pactual original de Deus com o seu povo ancestral, Israel, permanece separado do seu novo relacionamento pactual com as nações gentias por meio do Senhor Jesus Cristo.
No cenário do segundo pós-guerra, com sua preocupação quanto ao legado de antissemitismo na Igreja cristã, a posição da teologia dos dois pactos se tornou cada vez mais popular entre muitas importantes igrejas protestantes. Mesmo dentro da Igreja Católica Romana, alguns teólogos apelaram aos pronunciamentos do Concílio Vaticano II e à encíclica Redemptoris Missio do Papa João Paulo II (1991), os quais defendem o diálogo entre cristãos e judeus, a fim de se oporem aos contínuos esforços de evangelização dos judeus. Na perspectiva dos dois pactos, a confissão cristã acerca da pessoa e obra de Cristo como o único Mediador ou Redentor permanece verdadeira dentro da moldura do pacto de Deus com a Igreja. Contudo, uma vez que o pacto de Deus com Israel é um pacto separado, que não se cumpre na vinda de Jesus Cristo na plenitude do tempo, os cristãos não podem impor a Israel os termos do pacto de Deus com a Igreja.
Teologia da substituição radical
A última posição na controvérsia sobre Israel e a Igreja que precisa ser mencionada é a que podemos denominar “teologia da substituição radical”. Embora os dispensacionalistas frequentemente insistam que a afirmação reformada tradicional de um único povo de Deus, constituído de judeus e gentios que creem em Cristo, seja uma forma de “teologia da substituição”, a visão reformada não considera que o evangelho “substitui” a antiga economia pactual com Israel, antes, que a “cumpre”. A teologia da substituição radical é o ensino de que, porquanto muitos dos judeus não reconheceram Jesus Cristo como o Messias prometido, Deus substituiu Israel pela Igreja gentílica. O evangelho de Jesus Cristo chama todas as nações e povos à fé e ao arrependimento, mas não deixa nenhum espaço para qualquer ênfase particular sobre o propósito redentivo de Deus para o seu povo ancestral, Israel. Uma vez que a Igreja é o verdadeiro Israel, o espiritual, qualquer ênfase peculiar sobre a questão do intento salvador de Deus para Israel não é mais permitida.
A teologia da substituição radical representa no espectro o extremo oposto da posição dos dois pactos. Em vez de falar de um distinto relacionamento pactual entre Deus e Israel que continua mesmo depois da vinda de Cristo e da proclamação do evangelho às nações, a teologia da substituição sustenta que o programa e o interesse de Deus em Israel cessaram.
Conclusão
A diversidade entre essas várias posições na questão de Israel e da Igreja testifica a importância da controvérsia. Tem Deus um propósito e um programa redentivo separado para Israel e a Igreja? Ou será que o evangelho de Jesus Cristo cumpre o propósito de Deus de ajuntar um povo de toda tribo, língua e nação, judeus e gentios indistintamente, em uma única família universal? Quando o apóstolo Paulo declara em Romanos 1 que o evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Romanos 1.16), ele declara que há um único caminho de salvação para todos os que creem em Jesus Cristo, Ainda assim, ele ao mesmo tempo afirma que essa salvação não remove nem suplanta o propósito redentivo de Deus para os judeus, mas, em vez disso, o cumpre. O contínuo debate acerca de Israel e da Igreja precisa manter o equilíbrio apostólico, não separando Israel da Igreja nem substituindo Israel pela Igreja.
Tradução: Vinícius Silva Pimentel
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel
Fonte:http://www.ministeriofiel.com.br

sábado, 11 de abril de 2015

O Caminho da Salvação


Por :Arthur W. Pink

O que devo fazer para ser salvo? Salvo do quê? De que desejas ser salvo? Do inferno? Isso não prova nada. Ninguém quer ir pra lá. O assunto entre Deus e o homem é O PECADO. Queres ser salvo dele? O que é pecado? O pecado é uma espécie de rebelião contra Deus. É auto-complacência; é ignorar as exigências de Deus, é ser indiferente por completo ao fato de que nossa conduta pode agradar ou desagradar a Deus. Antes que Deus salve a um homem, Ele o convence de sua pecaminosidade. Não quero dizer com isto que ele diga como muitos dizem, - Sim, todos somos pecadores, já o sabemos. - Contudo, quero dizer que o Espírito Santo me faz sentir no coração que tenho estado toda minha vida em rebelião contra Deus, e que meus pecados são tantos, tão grandes, tão negros, que temo haver transgredido tanto a ponto de estar fora do alcance da misericórdia divina.
Tens tido esta experiência alguma vez? Tens te sentido totalmente indigno para o céu e apartado da presença de um Deus Santo? Percebes que em ti não há nada bom, nem nada bom creditado à tua conta; e que sempre tens amado as coisas que Deus odeia e odiado as coisas que Deus ama?
Ao pensar nestas coisas, o teu coração não tem sido quebrantado diante de Deus? Não te lamentas tu, por haver feito mau uso de Suas misericórdias, de Suas bênçãos, por haver abusado do Dia do Senhor, por haver desprezado a Sua Palavra, e por não haver dado um verdadeiro lugar para Deus em teus pensamentos, em teus afetos e em tua vida? Se não tens visto nem sentido isto pessoalmente, então atualmente não há esperança para ti, pois Deus disse, “Antes se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lucas 13:3). E se morres em tua condição atual, estarás perdido para sempre.
Porém se tens chegado ao lugar onde o pecado é tua maior praga, onde ofender a Deus é teu maior pesar, e onde teu maior anelo é agradar-Lhe e honrar-Lhe; então tens esperança. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10). Ele te salvará, se estás pronto e disposto a abandonar as armas de tua rebelião contra Ele, te inclinares a Seu Senhorio, e te renderes ao Seu controle.
Seu sangue pode limpar a mancha mais obscura. Sua graça pode suster ao mais débil. Seu poder pode livrar ao que sofre com provas e tentações. "Eis aqui agora o tempo aceitável; eis aqui agora o dia da salvação" (2 Coríntios 6:2). Cede diante das exigências de Deus. Dá-Lhe o trono de teu coração. Confia em Sua morte expiatória. Ama-O com toda a tua alma. Obedece-O com todas as tuas forças, e Ele te guiará ao céu. "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo tu, e a tua casa" (Atos 16:31).


Fonte:    www.monergismo.com

segunda-feira, 2 de março de 2015

O grande amor de Deus.


     Deus é amor é verdadeiro amor e um amor perfeito . Podemos ver esse amor de Deus na sua criação ,tudo que existe não é por acaso. Isso é revelação do amor de Deus.
     Esse amor ele coloca em nossos corações por intermédio do Espírito Santo que atua nos filhos,(Gl 4;6).” E porque vós sois filhos,envio Deus ao nosso coração o espírito de seu filho,que clama :Aba pai!.
     Os filhos de Deus tem amor verdadeiro,isso não vem de baixo mas vem de cima vem da parte de Deus.
      Deus é bom e cheio de misericórdia ,ele nos amou com tão grande amor que expressou esse amor, na cruz em seu filho Jesus Cristo.
       O Apostolo Paulo em romanos fala que o amor de Deus é,derramado em nosso coração pelo o Espírito Santo,que nos foi outorgado.(Rm 5;5).
       É impossível um cristão não ter amor uma vez que nascemos de novo já não estamos sós. Nascimento espiritual implica conversão em Cristo.

      O amor de uma pessoa pode acabar ou esfriar de acordo com (Mt 24:12) mas o amor de Deus já mais passara o amor do Senhor não acaba.

       No entanto,para expressar o amor divino conosco o termo utilizado é ágape (João 17:26). Portanto fale a verdade mesmo que isso te custe conseqüência.O amor não se conforma com a mentira não aceita o erro,o amor não se corrompe não se vende.

Pelo o amor em Deus devemos nos consumir pela verdade,da palavra ela é vida eficaz Inerrante absoluta fiel e verdadeira. Viva a fé em Cristo como vemos,em dois pontos da reforma: SOLO CHRISTUS, SOLA FIDE.Que esse amor do senhor encha seu coração de paz alegria e gozo, de saber que o amor dele esta em nós, que somos seus filhos amados.


(Autor: Pr Valdir Dvalos)

Evangelista Valdir Davalos